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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Inspiração no chuveiro!!

Sempre, sempre mesmo, digo em minhas palestras e cursos que quando me esbarro com  um trocadilho, uma expressão idiomática, uma piada, que não consigo encontrar uma melhor alternativa em português, vou tomar um banho. E é verdade! Vou tomar banho para ver se aquele coral iluminado canta sobre minha cabeça e me inspira! Sabiam que funciona!
O tradutor de dublagem, por ter que se desmembrar e saber um pouco de tudo, pois não existe uma linha tradutória a seguir, enfrenta muito esse tipo de problema. E digo sempre aos alunos: leiam, pesquisem, façam glossários. se informem! Informação nunca é demais!
Quando você faz uma tradução literária e depara-se com uma palavra estranha, sem equivalência no português, é possível escrever o significado daquela palavra, seja no texto ou em nota de rodapé (porém, não gosto de notas de rodapé. Dá uma preguiça de ler essas notas em certos livros!). No caso da dublagem, essa estratégia nem de longe pode ser cogitada! É preciso encontrar uma forma, ou uma fórmula, de colocar aquele termo, palavra, seja o quer for, dentro da fala do personagem.
Muitos pensam que traduzir para dublagem é sinônimo de adaptar. Quanto engano! A adaptação é apenas uma das estratégias de tradução utilizadas na dublagem, mas não é a única! Usamos dela quando nos deparamos com piadas, trocadinhos, expressões idiomáticas e termos que não existem na nossa língua. Que graça teria traduzir uma piada do inglês "ao pé da letra", se ela perderia o contexto em português? É preciso pensar não só na língua fonte como também na cultura fonte! Daí a vantagem de termos esse poder de utilizar a adaptação e aproximarmos ao máximo o original da nossa realidade, afinal de contas, não ouvimos a fala original. Uma vantagem sobre a legendagem, mas não é para ser utilizada numa produção inteira!
 Enfim, hoje recebi de um aluno, que com certeza ouviu minhas orientações, um link no qual ele se lembrou de mim!! E não poderia deixar de compartilhar com vocês!!
Então, se você estiver traduzindo e der de cara com algo que o faça "empacar", vá tomar banho!! Literalmente!! Clique aqui  e descubra o porquê! E bom banho!

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Nomes próprios. Tradução ou Transliteração?

Conversando ontem, durante o almoço, com minha nora, ela comentou sobre a questão da tradução de nomes próprios e por que traduziram em um filme que ela viu, Elizabeth por Isabel. Ela não concorda com a tradução dos nomes próprios e também comentou que em Harry Potter houve essa questão. Confesso que fiquei intrigada. Obviamente, tudo que me intriga me motiva a pesquisar e lá fui eu! Isabel, Elizabeth, etimologia.... Encontrei uma explicação ótima que nos ajuda muito a entender um pouco essa "miscigenação".  
Nomes próprios não se traduzem?
Paulo Cristiano* - artigo publicado no site do Ministério CACP.

Essa "tradução" é questionada, com o argumento de que nomes não se devem traduzir, mas sim transliterar. 

Lembrando que tradução é simplesmente a transposição de uma composição literária de uma língua para outra. Já a transliteração é a versão das letras de um texto em certa língua para as letras correspondentes de outra língua, isto é, fazer corresponder letras que tenham o mesmo som. Este procedimento é interessante e correto, e por vezes é utilizado nas traduções da Bíblia.

Mas mesmo este argumento pode ser questionado. Por exemplo, não deveríamos chamar Deus de Deus, e sim de Yhvh (como é que se pronuncia isso?), que é uma transliteração do tetragrama hebraico. A substituição por Adonay, porém, fez com que a pronúncia de Yhvh se perdesse no tempo, e o que conhecemos hoje por Jeová é também uma tentativa de traduzir este vocábulo, mas não significa que está correto também.

Neste ponto, muitos estão se perguntando qual seria a tradução correta do nome Yehôshua ou Yeshua para a língua portuguesa? Na realidade nomes próprios "geralmente" não se traduzem, mas se transliteram conforme a índole de cada língua. Os nomes Eva, David e outros que levam a letra w wav, "v" em hebraico aparecem como Eua, Dauid, nos textos gregos. No grego moderno a letra b beta b na antiguidade", hoje é v. Hoje se escreve Dabid para David e Eba para Eva.

Não se traduz Bill Gates (do inglês) para Guilherme Portões em português. Também não se traduz Michael Jackson para Miguel Filho de Jacó. Também é errado simplesmente escrever um nome em português da forma como ouvimos em inglês: "Maicou Djéquisson", por exemplo, seria uma esquisitice sem tamanho! O nome deve ser mantido na forma como se escreve no original e, na medida do possível, deve-se manter a pronúncia da língua original.


Exceções à Regra

Então isto significa que quando formos escrever o nome do Salvador devemos simplesmente escrever Yeshuah? É lógico que não! Quando a língua original do nome próprio usar um conjunto de caracteres diferente do nosso, então se processa o que chamamos de transliteração.

Transliteração, como vimos acima, é a "tradução" letra por letra (ou fonema por fonema) de um conjunto de caracteres para outro. Idiomas como o inglês, espanhol, francês e italiano usam o mesmo conjunto de caracteres que o português (A, B, C, D etc...), portanto não há transliteração entre palavras destes idiomas; mas idiomas como o hebraico, árabe, japonês e grego usam outros conjuntos de caracteres. Nestes casos utilizamos a transliteração para podermos representar em nosso conjunto de caracteres nomes próprios escritos originalmente em outro conjunto de caracteres.

As regras de transliteração não são complicadas. Vamos tomar como exemplo o conjunto de caracteres gregos: a (alfa), ß (beta), ? (gama), d (delta), e assim por diante. Numa transliteração de nomes escritos com caracteres gregos, cada letra grega é substituída por uma letra do conjunto de caracteres latinos. Por exemplo, a letra a (alfa) seria transliterada para a letra "A", a letra ß (beta) seria transliterada para a letra B, e assim por diante.

Há nomes que permanecem inalteráveis em outras línguas, mas não são todos. Como já dissemos, nome próprio geralmente não se traduz; mas às vezes, sim. E o nosso maior exemplo vem justamente da Bíblia Sagrada. Foi o que aconteceu com Simão, a quem Jesus disse: "O seu nome é Simão... de agora em diante o seu nome será Cefas (que quer dizer Pedro)" (João 1.42). Cefas é palavra aramaica que quer dizer "pedra". Pedro é em grego Petros, que quer dizer "pedra". E esse nome, resultado de tradução e não de transliteração, foi o que se tornou mais comum, e baseado nele foi que Jesus construiu o trocadilho registrado em Mateus 16.18.


Exemplos clássicos: 

João - O nome "João", por exemplo é Yohanan, em hebraico; Ioannes, em grego; John, em inglês; Jean, em francês; Giovani, em italiano, Juan, em espanhol; Johannes, em alemão.

Jacó - Jacó, em hebraico é YaakovIakobo (Tiago), em grego; Jacques, em francês; Giácomo, em italiano;Jacob, em inglês.

Todavia, há nomes que mudam substancialmente de uma língua para outra. Eliazar, em hebraico, é Lázaro em grego. Elisabete é a forma hebraica do nome grego Isabel.

O argumento, portanto, de que todo nome deve ser preservado na forma original, em todas as línguas é inconsistente, sem apoio bíblico.

Daí notamos que o nome "Jesus" é resultado da transliteração pura e simples do original grego Iesous (pronuncia-se Iesus), contradizendo a hipótese de que o nome "Jesus" originou-se através de uma tentativa mal intencionada dos papas de blasfemar do nome do Salvador.

Para definitivamente remover qualquer dúvida sobre o assunto, basta consultar a versão Septuaginta (LXX), uma tradução do Velho Testamento feita por setenta (?) mestres judeus no segundo século antes de Cristo. Eles traduziram o Velho Testamento do hebraico para o grego a fim de atingir os judeus da dispersão (lembre-se que o grego era a língua mais falada no império Romano). Nesta versão o nome de Josué, que em hebraico se escreve Yehôshua', ou em sua forma abreviada Yeshuah, foi transliterado para o grego exatamente da mesma forma que o nome de Jesus no Novo Testamento.


Trecho do Livro de Josué 1:10-12 na Septuaginta

Os sábios judeus transliteraram a letra hebraica ? (shin) para a letra grega s (sigma). A transliteração de "shin" para "sigma" foi feita em outros casos. Veja a tabela abaixo:
NOME EM PORTUGUÊS NO HEBRAICO
TRANSLITERAÇÃO NA LXX
TRANSLITERAÇÃO PARA CARACTERES LATINOS
Esaú (`Esav)
esan
Esau
Sete (Shen)
shq
Seth
Moisés (Mosheh)
mwushs
Moises
Isaías (Yeshayah)
hsaias
Esaias
Oséias (Howshea)
wshe
Hosee


É importante ressaltar que na transliteração de um conjunto de caracteres para outro, nem sempre a pronúncia original é mantida. Isto ocorre porque nem todos os fonemas de um idioma têm representação gráfica e podem ser devidamente pronunciados em outro idioma.

Da análise destes fatos concluímos que a forma Iesus ou Jesus é totalmente adequada para nos referirmos ao nosso Salvador e nada há de blasfêmia colocada por Jerônimo. Até hoje existem palavras em português que não tem tradução em Inglês. Por exemplo as palavras: saudade, feijoada, brigadeiro, salgado, corte de carne etc... precisam ser parafraseadas em inglês.

Finalmente, o Movimento do Nome Yehoshuah tem uma antropologia distorcida. Na Bíblia, o nome é como um sinônimo da própria pessoa. A pessoa é o que é, e não deixa de o ser se seu nome for traduzido ou transliterado para outra língua. Saulo de Tarso não mudou quando foi chamado de Paulo. Simão não deixou de ser o que era quando foi chamado por Jesus de Pedro. Ademais, o nome Josué (equivalente hebraico do nome Jesus - o Novo Testamento grego não distingue entre Josué e Jesus) aparece como Jeshua cerca de 29 vezes nos livros de Crônicas, Esdras e Neemias (incluindo Ed 5.2 em aramaico), assim como Jehoshuah aparece cerca de doze vezes em Ageu e Zacarias. Muitas vezes esses dois nomes se referem à mesma pessoa, o filho de Jozadaque.

E para ajudar mais um pouquinho, acesse  abaixo o guia do tradutor (Direção Geral da Tradução- Comissão Euroéia). Assim vamos aprendendo! 
http://ec.europa.eu/translation/portuguese/guidelines/documents/styleguide_portuguese_dgt_pt.pdf 



segunda-feira, 8 de julho de 2013

Em minha incansável luta, colho frutos!

Sempre me perguntam se existe mercado para a tradução de dublagem. Há alguns dias me perguntaram o que era traduzir para dublagem, pois achava-se que o dublador fazia a tradução simultânea no estúdio! Tive de explicar, é claro. E por acaso, não era uma pessoa humilde, sem estudos e sim uma fonoaudióloga super requisitada. E isso acontece em todos os meios, inclusive no acadêmico. Acho que minha luta para mostrar que a tradução para dublagem existe e que é importante estudar e se especializar na área está colhendo bons frutos. O público e os distribuidores começam a enxergar a dublagem e a entender que o mundo não é somente de uma classe minoritária que fala uma língua estrangeira. É preciso atender a todos!
Leiam a reportagem que saiu na Folha de São Paulo aqui.
Não é uma vitória da dublagem sobre a legenda, a meu ver, mas sim uma vitória do povo que merece o direito de ter acesso a programas que antes não tinham!
E vamos em frente!