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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Translation news- 19th November 2014

Translation News
Centre for Translation Studies (CenTraS) @ UCL
19th November 2014

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Call for papers: journal
Lingvisticæ Investigationes
Special issue on Spanish Phraseology: Varieties and Variations
http://dti.ua.es/es/documentos/li-call-for-papers-spanish-phraseology-varieties-and-variations.pdf

2………………………………………………..
Call for papers: conference
9th International Colloquium on Translation Studies in  Portugal – Translation & Revolution
Universidade Católica Portuguesa, Lisbon
22-23 October 2015

3………………………………………………..
Talk
Translating Russian Literature Roundtable
Waterstones, Piccadilly, London, W1J 9HD
27th November 2014, 6.30 – 8pm
www.russianartandculture.com/event-translating-russian-literature-roundtable-discussion-waterstones-27-nov/

4………………………………………………..
Conference
IMIA 2015 International Congress on Medical Interpreting
23-26 April 2015
Washington DC, USA

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Survey

Sociological aspects of translation in Slovakia and abroad


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Survey
Master's graduates in translation (MA must have been completed in 2014)
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Conference
Artis@Manchester 2015: Researching Translation in the Context of Popular Culture: Theoretical and Methodological Perspectives
Manchester Museum, Manchester
13 February 2015

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Job position
Profesor Ayudante Doctor en Filología Inglesa
Universidad de Cantabria
Deadline: 4 December

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European Graduate Placement Scheme Work Placement Day: Building strategic alliances
Friday, 6 February 2015
Universitat Autònoma de Barcelona
Contact details:  helen.astley@skillscfa.org

10………………………………………………..
Call for papers: conference
CSTIC 1st International Symposium on Cognitive Research on Translation and Interpreting
University of Macau, China
11-12 December 2014

terça-feira, 30 de setembro de 2014

OPINIÕES SOBRE DUBLAGEM


     Eu quis colocar a opinião de Alexandre Cruz Almeida sobre dublagem, escrita em um artigo em seu site, porque senti a necessidade de comentar cada parágrafo de sua “grande retórica”:
“...Ficou estabelecido, então, que eu ter desligado o Magnólia dublado não foi nem preconceito e nem, digamos, pirraça contra dublagem, pois como eu entendo inglês perfeitamente, não haveria porque ver em português. Mas, independente de tudo isso, dublagem é muito, muito ruim sim. E digo isso não só como consumidor/espectador, mas também como profissional da área (já trabalhei muito com tradução e, durante dois anos, fui tradutor full time) e vítima (na minha condição de escritor/roteirista).”
     Talvez, apesar de ter ficado tantos anos trabalhando nessa área, Alexandre não tenha tido a oportunidade de entrar em um estúdio para saber como se faz um filme e procurar entender tudo que se passa ali dentro para produzir um filme dublado, o que me pasma.
                  “...A questão central é simplesmente definir qual método, dublagem ou legendas, é o menos intrusivo. A dublagem sacrifica o lado auditivo e torna impraticáveis filmes baseados em diálogo. Monty Python, Woody Allen ou Irmãos Marx perdem cerca de 60% do conteúdo se dublados. Melhor nem assistir.”
Concordo que há filmes mal dublados, mas isso não é motivo para generalizar a dublagem. Ele pode ser um privilegiado por saber várias línguas, como diz, mas é preciso ressaltar que vivemos num mundo onde existem pessoas semianalfabetas e analfabetas, que precisam ter a  chance de buscar mais informação; de adquirir mais cultura, pela televisão ou não; que precisam ouvir, já que não sabem ler, e essa chance é dada através dos filmes dublados.
                “Muitos atores são conhecidos por suas vozes. É comum diretores escalarem determinados atores justamente por causa de suas vozes e timbres, dicção e sotaque. Tudo isso se perde na dublagem. Algumas vezes, a própria fama do ator vem de sua voz. Nunca vi Guerra nas Estrelas dublado, mas duvido que a voz do Darth Vader brasileiro seja mais sinistra do que a voz do James Earl Jones, por exemplo. A dublagem sacrifica os sotaques. O fato de uma southern belle em Nova Iorque ser zoada por seu arrastado sotaque sulista pode fazer uma diferença vital na trama, mas o espectador de um filme dublado jamais saberá disso. Quem vê Star Trek na televisão e não escuta o forte sotaque russo do Chekhov não entende metade do personagem, como ele se vê e como é visto pelos outros. Tudo perdido. “
Na dublagem, quando um dublador faz a voz de determinado ator/atriz, é dito que ele tem um boneco”.  Isso é determinado para que a voz sempre seja a mesma, todas as vezes que aquele ator/atriz específico fizer um filme, mantendo assim a coerência da voz. Temos bons exemplos de dubladores que fazem vozes famosas:
Newton da Matta – Bruce Willis.
Guilherme Briggs – Buzz Lightyear (Toy Story); Jim Carrey
Miriam Fisher – Drew Barrimore, Jennifer Lopez, Meg Ryan
Orlando Drummond- Scooby-doo, Popeye.
Ricardo Juarez – Johnny Bravo
Mário Monjardim – Pernalonga
Respondendo melhor ao comentário de Alexandre, escrevo aqui as palavras de Briggs sobre seu melhor trabalho:
“Meu melhor trabalho, acho que foi Grinch. Nunca tinha me entregado tanto a um personagem como fiz com ele. Cheguei até a ficar doente, com gripe e febre, após horas e horas de gravação num estúdio gelado, e depois saindo no calor do verão carioca. Mas valeu a pena, pois o próprio diretor da Universal, que estava acompanhando todas as versões no mundo inteiro, disse que a dublagem brasileira do Grinch tinha sido a melhor entre as trinta e poucas línguas em que foi dublado. Fiquei muito feliz em saber e depois, mais ainda quando fui assistir ao filme no cinema. Estavam todos muito bem, um filme com uma dublagem perfeita, solta, espontânea e muito engraçada. “
     Acontece muito de uma voz dublada ser muito melhor do que a original, fazendo com que um determinado personagem se destaque até mais, em um determinado filme ou desenho.  
“É incrível imaginar as distorções que podem ser causadas na cabeça de alguém que só assiste filmes dublados na TV aberta. Imaginem um super fã do Schwarzenegger, que viu todos os seus filmes, mas não sabe que ele fala com um carregadíssimo sotaque alemão. Imaginem alguém que assistiu a vários filmes com a Jennifer Tilly, até acha que ela é boa atriz e se pergunta porque será que ela não faz mais filmes, sem nunca saber que sua voz de taquara rachada é uma das mais insuportáveis de todos os tempos.”
Será que Arnold faria mais sucesso no Brasil se todos nós ouvíssemos seu “sotaque alemão”? Foi por causa desse sotaque que ele tornou-se governador da Califórnia e ganhou sete vezes o concurso de Mister Olímpia? Seu sucesso, creio eu, foi seu físico. Alguém se lembra do primeiro filme de Arnold, “ Conan, o Bárbaro”? O que quero esclarecer, é que nenhuma voz original justifica uma boa atuação, sucesso ou fama de nenhum ator. Ele é bom ou não é. A voz do dublador influencia sim no resultado de uma dublagem, mas é por isso que existem os testes de escolha de vozes. E, pelo que ele comenta da atriz Jennifer Tilly, sua voz dublada foi muito melhor do que a da própria atriz, mas dizer que ela sumiu das telas devido a voz de “taquara rachada”, é surreal. Senão, como ele explicaria o grande sucesso da atriz Fran Drescher, do seriado “The Nanny”?
“Aqui em casa, minha mulher assiste muita televisão. Muitas vezes, eu estou na sala trabalhando e fico ouvindo os diálogos. É surreal. Parece que ela está sempre assistindo ao mesmo filme. Deve haver só uns 20 dubladores no Brasil. São as mesmas vozes, programa após programa. As mesmas mocinhas, os mesmos heróis, os mesmos bandidos. Imagino as dificuldades dos cegos. O Pikachu das 10h é o Paulo Otávio das 18h e o traficante boliviano das 21h. Você não sabe nem quem visualizar, nem como se orientar. “
     Depois de ler esse artigo no site de Alexandre, e que não está na íntegra aqui, devido a pequenos “desvios de linguagem”, enviei-lhe um e-mail pedindo que respondesse algumas de minhas questões sobre tradução e dublagem, também feitas a José Henrique Lamensdorf,  já que ele me parecia entender muito do assunto. Sua resposta foi, “Não tenho contato com tradução e faz tempo que não trabalho nessa área. Não posso opinar sobre dublagem, pois, nem tenho televisão em minha casa. Só assisto filmes no original.”
No fórum Literatti, encontramos as seguintes opiniões sobre dublagem:
        “Caros colegas,
         Ontem tive uma experiência curiosíssima.Ganhei um DVD e ontem e tirei o filme Colateral para inaugurá-lo. Ainda sem prática não consegui programar o som em inglês com legendas em português e acabei vendo o filme com som e legendas em português, obviamente feitas por tradutores diferentes. As traduções diferiam, a da dublagem era mais solta do que a da legendagem e juntas produziam produzindo um efeito fantástico, digno de estudo.
         1.Achei o efeito curioso, os meus ouvidos e a minha leitura produzindo simultaneamente imagens mentais diferentes, a partir das mesmas imagens na tela.
         2. Não há juízo de valor no meu espanto.
         3. Todos sabemos que a linguagem falada é mais "solta" que a escrita.
         4. Creio que já há muita gente estudando a questão, embora, na minha humilde opinião, é preciso muita imaginação para alguém produzir uma tese polemizando a diferença entre fala e escrita no cinema.
         5. Por outro lado, estou gostando muito dos casos e comparações levantados pelos colegas, por que enriquecem bastante a questão legendagem X dublagem, na medida em que têm por fonte o acontecido, ou melhor a percepção que seus contadores têm do acontecido”

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Translation News!

Translation News
Centre for Translation Studies (CenTraS) @ UCL
27th August 2014

1………………………………………………..
Journal: call for papers
Cultus: The Journal of Intercultural Mediation and Communication
Special issue – The Intercultural Question and the Interpreting Professions

2………………………………………………..
Job position
University Teacher in Applied Languages with specialism in Localisation and Language Technologies
University of Sheffield

3………………………………………………..
Conference
Taboo Conference II (TaCo2014)
Grey College, Durham University, UK
8-9 September 2014

4………………………………………………..
Job position
University of Cantabria, Spain

5………………………………………………..
Conference: call for papers
World Words: The 1st Graduate Student Conference on Translation Studies – Translation & Networking
School of Translation and Interpretation, University of Ottawa
14-15 November 2014

6………………………………………………..
Conference
European Languages in Translation: Cultural Identity and Intercultural Communication
Taylor Institution, St Giles, University of Oxford
25-26 September 2014

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Publication
International Journal of Society, Culture & Language (IJSCL)
Volume 2, Issue 2, Special Issue on Translation, Society & Culture

8………………………………………………..
Journal: call for papers
Linguistica Antverpiensia, New Series (14/2015) - Towards a Genetics of Translation
15 September 2014


sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Inspiração no chuveiro!!

Sempre, sempre mesmo, digo em minhas palestras e cursos que quando me esbarro com  um trocadilho, uma expressão idiomática, uma piada, que não consigo encontrar uma melhor alternativa em português, vou tomar um banho. E é verdade! Vou tomar banho para ver se aquele coral iluminado canta sobre minha cabeça e me inspira! Sabiam que funciona!
O tradutor de dublagem, por ter que se desmembrar e saber um pouco de tudo, pois não existe uma linha tradutória a seguir, enfrenta muito esse tipo de problema. E digo sempre aos alunos: leiam, pesquisem, façam glossários. se informem! Informação nunca é demais!
Quando você faz uma tradução literária e depara-se com uma palavra estranha, sem equivalência no português, é possível escrever o significado daquela palavra, seja no texto ou em nota de rodapé (porém, não gosto de notas de rodapé. Dá uma preguiça de ler essas notas em certos livros!). No caso da dublagem, essa estratégia nem de longe pode ser cogitada! É preciso encontrar uma forma, ou uma fórmula, de colocar aquele termo, palavra, seja o quer for, dentro da fala do personagem.
Muitos pensam que traduzir para dublagem é sinônimo de adaptar. Quanto engano! A adaptação é apenas uma das estratégias de tradução utilizadas na dublagem, mas não é a única! Usamos dela quando nos deparamos com piadas, trocadinhos, expressões idiomáticas e termos que não existem na nossa língua. Que graça teria traduzir uma piada do inglês "ao pé da letra", se ela perderia o contexto em português? É preciso pensar não só na língua fonte como também na cultura fonte! Daí a vantagem de termos esse poder de utilizar a adaptação e aproximarmos ao máximo o original da nossa realidade, afinal de contas, não ouvimos a fala original. Uma vantagem sobre a legendagem, mas não é para ser utilizada numa produção inteira!
 Enfim, hoje recebi de um aluno, que com certeza ouviu minhas orientações, um link no qual ele se lembrou de mim!! E não poderia deixar de compartilhar com vocês!!
Então, se você estiver traduzindo e der de cara com algo que o faça "empacar", vá tomar banho!! Literalmente!! Clique aqui  e descubra o porquê! E bom banho!

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Nomes próprios. Tradução ou Transliteração?

Conversando ontem, durante o almoço, com minha nora, ela comentou sobre a questão da tradução de nomes próprios e por que traduziram em um filme que ela viu, Elizabeth por Isabel. Ela não concorda com a tradução dos nomes próprios e também comentou que em Harry Potter houve essa questão. Confesso que fiquei intrigada. Obviamente, tudo que me intriga me motiva a pesquisar e lá fui eu! Isabel, Elizabeth, etimologia.... Encontrei uma explicação ótima que nos ajuda muito a entender um pouco essa "miscigenação".  
Nomes próprios não se traduzem?
Paulo Cristiano* - artigo publicado no site do Ministério CACP.

Essa "tradução" é questionada, com o argumento de que nomes não se devem traduzir, mas sim transliterar. 

Lembrando que tradução é simplesmente a transposição de uma composição literária de uma língua para outra. Já a transliteração é a versão das letras de um texto em certa língua para as letras correspondentes de outra língua, isto é, fazer corresponder letras que tenham o mesmo som. Este procedimento é interessante e correto, e por vezes é utilizado nas traduções da Bíblia.

Mas mesmo este argumento pode ser questionado. Por exemplo, não deveríamos chamar Deus de Deus, e sim de Yhvh (como é que se pronuncia isso?), que é uma transliteração do tetragrama hebraico. A substituição por Adonay, porém, fez com que a pronúncia de Yhvh se perdesse no tempo, e o que conhecemos hoje por Jeová é também uma tentativa de traduzir este vocábulo, mas não significa que está correto também.

Neste ponto, muitos estão se perguntando qual seria a tradução correta do nome Yehôshua ou Yeshua para a língua portuguesa? Na realidade nomes próprios "geralmente" não se traduzem, mas se transliteram conforme a índole de cada língua. Os nomes Eva, David e outros que levam a letra w wav, "v" em hebraico aparecem como Eua, Dauid, nos textos gregos. No grego moderno a letra b beta b na antiguidade", hoje é v. Hoje se escreve Dabid para David e Eba para Eva.

Não se traduz Bill Gates (do inglês) para Guilherme Portões em português. Também não se traduz Michael Jackson para Miguel Filho de Jacó. Também é errado simplesmente escrever um nome em português da forma como ouvimos em inglês: "Maicou Djéquisson", por exemplo, seria uma esquisitice sem tamanho! O nome deve ser mantido na forma como se escreve no original e, na medida do possível, deve-se manter a pronúncia da língua original.


Exceções à Regra

Então isto significa que quando formos escrever o nome do Salvador devemos simplesmente escrever Yeshuah? É lógico que não! Quando a língua original do nome próprio usar um conjunto de caracteres diferente do nosso, então se processa o que chamamos de transliteração.

Transliteração, como vimos acima, é a "tradução" letra por letra (ou fonema por fonema) de um conjunto de caracteres para outro. Idiomas como o inglês, espanhol, francês e italiano usam o mesmo conjunto de caracteres que o português (A, B, C, D etc...), portanto não há transliteração entre palavras destes idiomas; mas idiomas como o hebraico, árabe, japonês e grego usam outros conjuntos de caracteres. Nestes casos utilizamos a transliteração para podermos representar em nosso conjunto de caracteres nomes próprios escritos originalmente em outro conjunto de caracteres.

As regras de transliteração não são complicadas. Vamos tomar como exemplo o conjunto de caracteres gregos: a (alfa), ß (beta), ? (gama), d (delta), e assim por diante. Numa transliteração de nomes escritos com caracteres gregos, cada letra grega é substituída por uma letra do conjunto de caracteres latinos. Por exemplo, a letra a (alfa) seria transliterada para a letra "A", a letra ß (beta) seria transliterada para a letra B, e assim por diante.

Há nomes que permanecem inalteráveis em outras línguas, mas não são todos. Como já dissemos, nome próprio geralmente não se traduz; mas às vezes, sim. E o nosso maior exemplo vem justamente da Bíblia Sagrada. Foi o que aconteceu com Simão, a quem Jesus disse: "O seu nome é Simão... de agora em diante o seu nome será Cefas (que quer dizer Pedro)" (João 1.42). Cefas é palavra aramaica que quer dizer "pedra". Pedro é em grego Petros, que quer dizer "pedra". E esse nome, resultado de tradução e não de transliteração, foi o que se tornou mais comum, e baseado nele foi que Jesus construiu o trocadilho registrado em Mateus 16.18.


Exemplos clássicos: 

João - O nome "João", por exemplo é Yohanan, em hebraico; Ioannes, em grego; John, em inglês; Jean, em francês; Giovani, em italiano, Juan, em espanhol; Johannes, em alemão.

Jacó - Jacó, em hebraico é YaakovIakobo (Tiago), em grego; Jacques, em francês; Giácomo, em italiano;Jacob, em inglês.

Todavia, há nomes que mudam substancialmente de uma língua para outra. Eliazar, em hebraico, é Lázaro em grego. Elisabete é a forma hebraica do nome grego Isabel.

O argumento, portanto, de que todo nome deve ser preservado na forma original, em todas as línguas é inconsistente, sem apoio bíblico.

Daí notamos que o nome "Jesus" é resultado da transliteração pura e simples do original grego Iesous (pronuncia-se Iesus), contradizendo a hipótese de que o nome "Jesus" originou-se através de uma tentativa mal intencionada dos papas de blasfemar do nome do Salvador.

Para definitivamente remover qualquer dúvida sobre o assunto, basta consultar a versão Septuaginta (LXX), uma tradução do Velho Testamento feita por setenta (?) mestres judeus no segundo século antes de Cristo. Eles traduziram o Velho Testamento do hebraico para o grego a fim de atingir os judeus da dispersão (lembre-se que o grego era a língua mais falada no império Romano). Nesta versão o nome de Josué, que em hebraico se escreve Yehôshua', ou em sua forma abreviada Yeshuah, foi transliterado para o grego exatamente da mesma forma que o nome de Jesus no Novo Testamento.


Trecho do Livro de Josué 1:10-12 na Septuaginta

Os sábios judeus transliteraram a letra hebraica ? (shin) para a letra grega s (sigma). A transliteração de "shin" para "sigma" foi feita em outros casos. Veja a tabela abaixo:
NOME EM PORTUGUÊS NO HEBRAICO
TRANSLITERAÇÃO NA LXX
TRANSLITERAÇÃO PARA CARACTERES LATINOS
Esaú (`Esav)
esan
Esau
Sete (Shen)
shq
Seth
Moisés (Mosheh)
mwushs
Moises
Isaías (Yeshayah)
hsaias
Esaias
Oséias (Howshea)
wshe
Hosee


É importante ressaltar que na transliteração de um conjunto de caracteres para outro, nem sempre a pronúncia original é mantida. Isto ocorre porque nem todos os fonemas de um idioma têm representação gráfica e podem ser devidamente pronunciados em outro idioma.

Da análise destes fatos concluímos que a forma Iesus ou Jesus é totalmente adequada para nos referirmos ao nosso Salvador e nada há de blasfêmia colocada por Jerônimo. Até hoje existem palavras em português que não tem tradução em Inglês. Por exemplo as palavras: saudade, feijoada, brigadeiro, salgado, corte de carne etc... precisam ser parafraseadas em inglês.

Finalmente, o Movimento do Nome Yehoshuah tem uma antropologia distorcida. Na Bíblia, o nome é como um sinônimo da própria pessoa. A pessoa é o que é, e não deixa de o ser se seu nome for traduzido ou transliterado para outra língua. Saulo de Tarso não mudou quando foi chamado de Paulo. Simão não deixou de ser o que era quando foi chamado por Jesus de Pedro. Ademais, o nome Josué (equivalente hebraico do nome Jesus - o Novo Testamento grego não distingue entre Josué e Jesus) aparece como Jeshua cerca de 29 vezes nos livros de Crônicas, Esdras e Neemias (incluindo Ed 5.2 em aramaico), assim como Jehoshuah aparece cerca de doze vezes em Ageu e Zacarias. Muitas vezes esses dois nomes se referem à mesma pessoa, o filho de Jozadaque.

E para ajudar mais um pouquinho, acesse  abaixo o guia do tradutor (Direção Geral da Tradução- Comissão Euroéia). Assim vamos aprendendo! 
http://ec.europa.eu/translation/portuguese/guidelines/documents/styleguide_portuguese_dgt_pt.pdf 



quarta-feira, 28 de maio de 2014

Um estudo sobre a dublagem de Game of Thrones - de Flávia Laira

TRADUÇÃO PARA DUBLAGEM – UM ESTUDO SOBRE A DUBLAGEM DE GAME OF THRONES PARA O PORTUGUÊS DO BRASIL



Flávia Laira
                                     Pós-Graduação em Tradução de Inglês
Universidade Estácio de Sá, São Paulo, Brasil
flavialaira@yahoo.com.br


RESUMO


Na tradução para legendagem, Collet (2011) e Esqueda (2012) viram que a neutralização foi a estratégia mais utilizada pelos tradutores diante do palavrão nas falas dos personagens. Mas e na tradução para dublagem? Sabemos que a escolha da palavra no processo tradutório interfere nas características do personagem (ECO, 2011; CATRYSSE & GAMBIER, 2008). Este artigo, então, analisou essa interferência no uso ou não uso do palavrão na dublagem de Valar Dohaeris  (episódio 301, 3ª temporada) da série Game of Thrones, bem como a estratégia, segundo Gambier (2003 apud ESQUEDA, 2012) mais utilizada pela tradutora de dublagem. As falas de cada personagem foram escritas em uma planilha, sendo possível a melhor visualização de legenda – dublagem – fala original. A análise mostrou que a neutralização não prevaleceu como estratégia mais usada na tradução de palavrões para a dublagem e indicou um pequeno desvio nas características de um dos personagens da série.

Palavras-Chave: tradução – dublagem – palavrão – caracterização de personagem.


ABSTRACT


In translation for subtitling, Collet (2011) and Esqueda (2012) verified neutralization as the strategy most used by translators when they are up against swearwords in characters’ speeches. And in dubbing? What is the strategy most used in translation for dubbing? We know that the choice of a word in the translation process interferes with the character’s features (ECO, 2011; CATRYSSE & GAMBIER, 2008). So, this article analyzed such interference in the use or non-use of swearwords in dubbing of Valar Dohaeris (episode 301, 3ͬ ͩ season) of Game of Thrones series, and the strategy, according to Gambier (2003 apud ESQUEDA, 2012) most used by the translator for dubbing. The lines of each character were written on a worksheet, enabling better visualization of subtitling – dubbing – original speech. Analysis showed that neutralization was not the strategy most used in translation of swearwords for dubbing and it also indicated a small shift in the features of one character in the series.

Keywords: translation – dubbing – swearword – character’s features.




No livro Quase a Mesma Coisa, de Umberto Eco (2011, p.28), verifica-se que a escolha da unidade lexical na tradução influencia na caracterização dos personagens. Recentemente, alguns estudos na área de tradução audiovisual tiveram como foco a escolha de unidades lexicais na tradução de palavrões para legendagem. Collet (2011, p.1) em seus estudos definiu palavrão como sinônimo de baixo calão, significando blasfêmia, xingamentos, maldições e tabus. Já Esqueda (2012, p.159) apontou que o uso dos palavrões pertence a um determinado grupo social afetado por um ambiente hostil, significando o palavrão como a expressão de descontentamento, irritação e pânico.
Analisando o impacto do uso ou não uso dos palavrões nas traduções para legenda, as duas autoras constataram que a estratégia mais utilizada foi a de neutralização (GAMBIER, 2003 apud ESQUEDA, 2012, p. 150). Mas e na dublagem? Essa estratégia prevalece ou há a tentativa de equivalência ou omissão quando se usa a linguagem verbal?
Este artigo, de caráter qualitativo, tem como corpus de pesquisa as falas traduzidas para a dublagem do primeiro episódio da terceira temporada de Game of Thrones. Aponta as escolhas lexicais tomadas pela tradutora da dublagem quanto ao uso ou não uso do palavrão, verificando quais estratégias aparecem mais nesse corpus; discute se determinadas escolhas na tradução influenciaram ou não na caracterização de personagens da série e; se houve diferença na compreensão do público alvo diante dessas escolhas.
Tratando-se de tradução para dublagem, na primeira parte veremos uma breve explicação sobre o lip-sync (LUYKEN apud MACHADO, 2012, p.16) - termo técnico para sincronização labial utilizado no processo de dublagem, assim como uma explicação detalhada sobre os tipos de sincronismo e quais deles o bom tradutor deve atentar-se e, uma breve explicação sobre o tipo de registro utilizado para legendagem e dublagem, o qual se difere no grau de formalismo (RODRIGUES, 2004, p.12). Posteriormente há a análise minuciosa feita a partir das escolhas de unidades lexicais adotadas pela tradutora de dublagem, especificamente no impacto causado no público quanto ao uso de palavras de baixo calão - para as análises de uso de palavrões foram tomados os conceitos de Gambier (2003 apud ESQUEDA, 2012, p. 150), e a definição dos palavrões segundo os dicionários Aurélio e Houaiss, ambos online, para as palavras em português. E para os termos em inglês, os dicionários Oxford Online e Cambridge Online.
Para facilitar a análise, uma planilha foi montada com as transcrições das falas, assim como as legendas e, encontrando o foco do presente estudo, parte do roteiro original também foi analisado.   Essas falas estão separadas por número e tempo, facilitando a localização delas tanto na planilha quanto no vídeo.


1.1  ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DA TRADUÇÃO PARA DUBLAGEM


Os trabalhos profissionais na área de tradução para dublagem vêm crescendo. Segundo BARROS (2006, p.50), a dublagem é utilizada largamente como um meio de reprodução dos filmes para o cinema e a televisão e, incluindo aqui as séries também, por grande parte das emissoras e distribuidoras.
Com todo esse crescimento é preciso se atentar à qualidade das traduções feitas para a dublagem. Um dos fatores que alteram essa qualidade é o lip-sync, o qual, segundo Dilma Machado (2012, p.27) “é um termo técnico para combinar os movimentos dos lábios com a voz”. Trata-se de uma das técnicas utilizadas pelos tradutores, garantindo qualidade à dublagem, pois:

(...) a falta de sincronismo nos filmes ou séries televisivas dublados, em uma tradição em que a sincronia é normativa ou regulamentada, por exemplo, pode ser recebida pelo público como um mecanismo negativo.  (CHAUME, 2007, p. 72, tradução nossa)[1].
Como exemplo de sincronismo – lip-sync – pode-se analisar a seguinte fala de Game of Thrones, em que o dublador sincroniza a tradução da fala de acordo com o movimento labial do personagem Mormont. Essa fala, em particular, deixa o trabalho do tradutor para dublagem mais fácil, pois o movimento labial que é preciso para: look at me assemelha-se ao movimento labial necessário para a tradução literal em português brasileiro (SOUZA, 1998, p. 51): olhe pra mim. Trata-se da cena em que Mormont questiona Tarly sobre o envio ou não dos corvos:
FALA 3
LEGENDA
DUBLAGEM
ORIGINAL
00:04:29,297 --> 00:04:32,437


Tarly, olhe para mim.
Tarly, olhe pra mim
Tarly, look at me.

Constata-se com essa fala também, uma das diferenças entre legendagem e dublagem na pesquisa de Barros (2006, p.68), em que as legendas precisam se conter à estrutura da língua escrita, ou seja, a legenda precisa ser escrita de acordo com as normas formais da língua portuguesa brasileira, servindo de base até para alfabetização: o tradutor da legenda escreve olhe para mim, e já a tradutora da dublagem segue a linguagem coloquial: olhe pra mim.
Abaixo há uma fala de Melisandre, na cena em que ela provoca Davos, descrevendo-lhe o ataque com o líquido inflamável na Baía da Água Negra. Aqui também há um bom lip-sync, onde a tradutora utiliza a tradução literal:
FALA 522
LEGENDA
DUBLAGEM
ORIGINAL
00:41:30,652 --> 00:41:32,898


clamando por suas mães...
clamando por suas mães...
crying for their moms...

As duas falas acima se referem ao sincronismo labial total, pois “quando o que o telespectador ouve e vê na tela não soa como uma tradução, mas o discurso da língua meta parece estar sendo falado pelo próprio ator ao qual estão assistindo.” (GOTLIEB apud MACHADO, 2012, p. 14)
No entanto, esse sincronismo labial total não acontece na cena em que Jon Snow se apresenta a Mance Rayder :

FALA 97
LEGENDA
DUBLAGEM
ORIGINAL
00:12:38,637 --> 00:12:39,990


então, você também é.
você também é traidor.
you are too.

Se a tradutora optasse por deixar a tradução literal de you are too, a fala em português sairia como a da legenda: você também é, o que não é favorável para um bom lip-sync. Assim, a escolha por: você também é traidor, em que a sílaba dor de traidor se aproxima do movimento labial feito para too melhora essa sincronização dando à dublagem um caráter mais natural. Nesse trecho constata-se o conceito de sincronismo fonético (CHAUME apud MACHADO, 2012, p.16), ou seja, o ajuste da tradução aos lábios do personagem. Essa mesma definição também é a de sincronismo bilabial (GOTLIEB apud MACHADO, 2012, p.13):

(...) há uma priorização importantíssima na questão das bilabiais principalmente quando a cena é em close-up. É preciso que o tradutor fique atento nesse tipo de cena e procure palavras da língua meta que terminem com uma vogal de mesmo timbre que o original. Se acaso isso não for percebido, caberá ao diretor de dublagem corrigir a palavra para que ela “combine” com o movimento bilabial do personagem, evitando que a qualidade da dublagem fique ruim. (MACHADO, 2012, p.14)

Então, o papel do tradutor é crucial para um bom lip-sync e, dependendo do tipo de fala ou de cena, evidencia-se ou não o movimento labial do personagem. Para tal, conforme Dilma Machado (2012, p.7), os tradutores têm de pensar sobre:
- Tipo de fala ou diálogo:
- em off ou O.S. (Off Screen): quando ouvimos apenas a fala, o personagem não aparece. Verifica-se isso nesta fala de Talisa, quando ela implica com o tratamento que Robb Stark dá a sua mãe Catelyn:
FALA 323
LEGENDA
DUBLAGEM
ORIGINAL
00:28:06,996 --> 00:28:08,423


É a sua mãe.
Ela é sua mãe.
She's your mother.

- em on: quando aparece o personagem. Nesta fala, Tyrion conversa com o seu pai Tywin Lannister e pede reconhecimento pela batalha ganha na Baía da Água Negra:

FALA 336
LEGENDA
DUBLAGEM
ORIGINAL
00:29:15,155 --> 00:29:17,464


Está gostando
Está gostando
Are you enjoying
da nova posição?
do seu novo cargo?
your new position?

- Tipo de cena:
- close-up, primeiro plano ou plano próximo: nesta cena temos o close-up de Daenerys, ou seja, quando aparece apenas o rosto dela, em uma conversa com Jorah Mormont, onde eles estão pensando em comprar o exército dos Imaculados:
FALA 479
LEGENDA
DUBLAGEM
ORIGINAL
00:38:14,690 --> 00:38:16,408


Preciso de um exército.
Preciso de um exército.
I need an army.

- plano de conjunto: quando aparecem vários outros personagens juntos. Aqui aparece Lorde Baelish ao fundo, caminhando em direção a Sansa e Shae, as quais estão sentadas. Apenas a personagem Sansa fala, antes de ser interrompida por Baelish:
FALA 438
LEGENDA
DUBLAGEM
ORIGINAL
00:34:49,792 --> 00:34:53,529


Porque a verdade
sempre é horrível ou tediosa.
Porque a verdade
ou é sempre terrível ou é chata.
Because the truth
is always terrible or boring.


- plano médio: onde aparece pelo menos um personagem na cena, em um ambiente. Aqui, como exemplo, a cena mostra Davos, sozinho, pedindo socorro em uma pequena ilha, depois de ter sido derrotado pelos Lannisters na batalha da Baía da Água Negra:
FALA 244
LEGENDA
DUBLAGEM
ORIGINAL
00:21:37,118 --> 00:21:38,153


Ajude-me!
Me ajudem.
Help me!


- plano detalhe: a cena mostra parte do corpo do personagem. Neste caso, temos como exemplo a cena em que Tywin Lannister aparece de costas, respondendo ao pedido de reconhecimento feito anteriormente por Tyrion:
FALA 373
LEGENDA
DUBLAGEM
ORIGINAL
00:31:10,273 --> 00:31:12,480


Diga-me o que quer.
Me diga o que você quer.
Tell me what do you want.


Há também a narração ou Voice Over (V.O.), e o tradutor deve se atentar à entrada e saída da fala apenas, pois assim como o plano detalhe e a fala em off, a movimentação labial do personagem não fica em evidência. Essa definição de V.O. utilizada nos roteiros de filmes difere daquela empregada nos meios de tradução audiovisual. V.O. nos roteiros é simplesmente um aviso de que a fala de determinado personagem será narrada por ele. Já V.O., na tradução audiovisual, mantém-se a fala original em baixo volume, evidenciando a fala do dublador. Um exemplo de narração não foi encontrado nesse episódio, porém mais adiante veremos exemplos de V.O. na tradução audiovisual.


2.      O IMPACTO DO USO E DA OMISSÃO DE PALAVRÕES NA DUBLAGEM


Aqui, o termo palavrão se refere aos termos pejorativos, usados para insultar ou denegrir o outro. Tomemos a definição do Dicionário do Aurélio Online: “s.m. Palavra grande e de pronúncia difícil. / Palavra obscena, grosseira, pornográfica; palavrada”. Já no Dicionário Houaiss Online:
expressão pomposa e empolada (supedâneo e turpilóquio são p. cujo emprego este jornal não permite). 2. (1881) palavra grande e de pronúncia difícil (ultramicroscopicossilicovulcanoconiose é um p.!) 3. Palavra grosseira e/ou obscena (um texto de teatro cheio de palavrões).

Diante das várias considerações estabelecidas para a definição de palavrão, ficamos com aquela em que existe sim a intenção de se constranger alguém. Segundo Orsi (2011, p.340), “Os palavrões podem ser definidos também como injúrias, que são, por definição, um atentado a outrem, uma ofensa.”
Para analisar os palavrões no 1° episódio da 3ª temporada de Game of Thrones, quatro
falas foram escolhidas:
FALA 341
LEGENDA
DUBLAGEM
ORIGINAL
00:29:29,677 --> 00:29:32,865


Você deitou com uma prostituta
Levou uma puta
You brought a whore
na minha cama.
para minha cama.
into my bed.

FALA 415
LEGENDA
DUBLAGEM
ORIGINAL
00:33:32,555 --> 00:33:36,093


Enforcarei a próxima prostituta
A próxima puta
The next whore
que encontrar na sua cama.
que eu pegar na sua cama eu enforco.
I catch in your bed. I'll hang.

FALA 657
LEGENDA
DUBLAGEM
ORIGINAL
00:49:50,626 --> 00:49:53,005


Diga à cadela ignorante...
E diga a essa puta ignorante
Ivetra beza live endia dovodedha.... (Tell this ignorant whore...)

FALA 687
LEGENDA
DUBLAGEM
ORIGINAL
00:51:45,709 --> 00:51:48,301


Diga à cadela de Westeros...
E diga à puta de Westeros...
Ivetra ji live Vesterozia...(Tell the westerosi whore...)

Vejamos o uso da palavra whore no roteiro original das quatro falas. Segundo o Oxford Dictionary Online, whore significa: “noun. derogatory. a prostitute”, ou seja, um substantivo pejorativo, depreciativo para prostituta. Já no Cambridge Dictionary Online, whore significa: “noun. old-fashioned: a female prostitute. offensive: a woman whose behavior in her relashionships is considered immoral”. Traduzindo: substantivo. brega: mulher que se prostitui. ofensivo: uma mulher cujo comportamento em seus relacionamentos é considerado imoral.
Na legenda das falas 341 e 415 a tradução ficou como prostituta. No Dicionário do Aurélio Online, prostituta significa: “adj. e s.f. Mulher que se prostitui, que tem relações sexuais por dinheiro; meretriz. / Gír. Piranha”. Já no Dicionário Houaiss Online: “substantivo feminino. Mulher que exerce a prostituição. Nas falas 657 e 687, o tradutor da legenda optou por cadela, cuja definição no Dicionário do Aurélio é “s.f. Fêmea do cão. / Pop. Mulher de mau comportamento. / Prostituta”. E no Dicionário Houaiss significa “1. Fêmea do cão. 2. Pej. Mulher pouco digna, de baixa condição social ou de comportamento ou hábitos reprováveis. 2.1 mulher vulgar, desavergonhada. 3. Pej. Prostituta.”
Já na dublagem, a tradutora precisou usar a palavra puta em todas as quatro falas acima, sendo uma exigência do cliente, embora ela tenha optado também por ora safada ora vagabunda, com a intenção de não soar muito repetitivo (MACHADO, 2014).
Vejamos, no Dicionário Houaiss, as seguintes definições para puta:

prostituta. qualquer mulher lúbrica que se entregue à libertinagem. Termo que se emprega antepositivamente como hiperbolizante, no sentido de ‘grande, enorme, fantástico, excelente, sensacional’ etc. (levou dois puta abraços) (deu uma puta festa de aniversário) (ele é um puta amigo) (fazíamos umas putas farras em Salvador).

No Dicionário do Aurélio Online: “s.f. Pop. Prostituta. (Sin.: meretriz, rameira, marafona”. Pode-se dizer, diante de tais definições, que o uso de puta para a tradução de whore se aproximou da fala original, assim como o uso de cadela. Pois os personagens usaram o termo pejorativo da palavra, e não o termo que define formalmente a profissão de uma pessoa. Como se trata de uma fala tipo off (FALA 341) e cena plano detalhe (FALA 687) – em que os movimentos labiais não aparecem, sendo preciso apenas se atentar à entrada e saída da fala do personagem; e, fala tipo on e cena plano de conjunto (FALAS 415 E 657) – os movimentos labiais do personagem não são focados –, a tradutora poderia ter escolhido tanto puta quanto prostituta para sua tradução. Baseando-se nas estratégias de Gambier (GAMBIER apud ESQUEDA, 2012, p.150), é possível dizer que a tradutora da dublagem usou a equivalência quando traduziu whore como puta.
Abaixo temos a palavra slut.
FALA 629

 LEGENDA

 DUBLAGEM

  ORIGINAL

00:48:21,295 --> 00:48:23,860

 

 

Diga para a vagabunda de cabelos prateados...

Fala original em Valiriano

Ivetra ji rene eji oghrar gelinko sko majorozlivis eva ruhilis. (Tell the silver-haired slut...

LEGENDA

DUBLAGEM

ORIGINAL

00:48:23,860 --> 00:48:27,114

 

 

que eles ficam de pé até caírem.

Fala original em Valiriano.

they will each stand until they drop)

 

No Dicionário Oxford Online: “noun. Derogatory. 1 a woman who has many casual sexual partners. 2 dated a woman with low standards of cleanliness”. Que para o português seria: substantivo. Depreciativo. 1. Uma mulher com muitos parceiros sexuais. 2. Fora de moda: uma mulher com pouca higiene.  No Dicionário Cambridge: “noun (sexually active woman) slang disapproving. a woman who has sexual relationships with a lot of men without any emotional involvement”. Ou seja: subst. (mulher sexualmente ativa) gíria de desaprovação. Uma mulher que tem relações sexuais, sem envolvimento emocional, com muitos homens. Para slut, o tradutor para legenda escolheu a palavra vagabunda.  Segundo o Dicionário Houaiss, vagabundo é um termo pejorativo, significando vadia. No Dicionário Aurélio: “adj. Que vagueia; errante; nômade: ciganos vagabundos. / Que não trabalha ou não gosta de trabalhar; vadio: aluno vagabundo. / Bras. Reles, ordinário, inferior, de má qualidade”.
Nessa fala não foi possível verificar a estratégia utilizada pela tradutora da dublagem, pois a fala de Kraznys foi mantida no original (ou utilizaram o Revoice[2]), em língua Valiriana (língua fictícia presente na série). Isso se deve porque nesta parte do episódio, Kraznys era acompanhado pela intérprete Missandei, a qual traduzia o que ele falava para Daenerys. A tradução do Valiriano de Missandei para Daenerys foi dublada e,  quando Missandei traduzia para Kraznys, utilizou-se o Voice Over, em que se é possível escutar Missandei falando Valiriano em baixo volume, evidenciando a voz da dubladora, em português.
Mas foi possível verificar o impacto causado aos ouvintes, pelo não uso do palavrão, quando Missandei traduz o que Kraznys fala para Daenerys:
FALA 631
LEGENDA
DUBLAGEM
ORIGINAL
00:48:27,114 --> 00:48:29,321


Eles ficam de pé até caírem.
Eles ficarão de pé até caírem.
They will stand until they drop. 

Quando Missandei escolhe não traduzir a fala inteira de Kraznys, por razões profissionais, interpretando apenas o que é essencial para a situação (compra e venda do exército), a pessoa que opta assistir ao episódio no modo dublado não percebe que Kraznys está o tempo todo debochando e ofendendo Daenerys com palavrões – ao menos que a pessoa entenda Valiriano. Segundo Machado (2014), as falas de Kraznys em Valiriano foram traduzidas para que fossem legendadas, causando o impacto desejado. Porém, o cliente preferiu omitir as legendas e utilizar o Voice Over.Essa escolha contribuiu para que não houvesse a total descaracterização do personagem Kraznys. A partir da quarta fala, utilizou-se o o Voice Over da tradução audiovisual, como se verifica nas falas citadas anteriormente 657 e 687. Com isso, ficou possível entender que Kraznys falava somente em Valiriano e em quase toda sua fala havia uma ofensa a Daenerys. Das doze falas de Kraznys, três foram mantidas no original, em Valiriano, como a FALA 629 acima, e as seguintes:
FALA 624
LEGENDA
DUBLAGEM
ORIGINAL
00:48:03,589 --> 00:48:09,471


Fale para a puta de Westeros que os lmaculados...
Fala original em Valiriano
Ivetra ji live Vesterozia sko bezi Dovoghedi Kizir jortis me tovi si me banti... (Tell the Westerosi whore that these Unsullied...

FALA 630
LEGENDA
DUBLAGEM
ORIGINAL
00:48:23,860 --> 00:48:27,114


que eles ficam de pé até caírem.
Fala original em Valiriano
... gelinko sko majorozlivis eva ruhilis... (they will each stand until they drop…)


Em uma das falas houve a omissão do uso do palavrão no Voice Over, aparecendo apenas na legenda conforme se verifica abaixo:

FALA 663
LEGENDA
DUBLAGEM
ORIGINAL
00:50:22,939 --> 00:50:24,568


A cadela burra sabe...
que cortamos os testículos deles?
(Essa fala não existe no script, porém aparece como legenda em inglês no vídeo: Does the dumb bitch know... we´ve cut off their balls?
 Os homens não precisam de mamilos
  Vali do ezi jini va d’ovistos. (Men have no need of nipples).

A seguir estão as seis das nove falas onde se utilizou o V.O. – três se encontram nas falas 657, 687 e 663, citadas anteriormente:

FALA 639
LEGENDA
DUBLAGEM
ORIGINAL
00:48:50,893 --> 00:48:54,366


Diga-lhe o que deve saber...
As porcas de Westeros são todas ignorantes?
Uni Begistos Vesterozii lis Kuni dovodedhi, kiz? (Are all Westerosi pigs so ignorants?)

FALA 651
LEGENDA
DUBLAGEM
ORIGINAL
00:49:28,424 --> 00:49:31,575


Diga ao velho
Diga ao velho
Ivetra ji veby tuzis ez orgoz. (Tell the old man
que ele fede a urina.
que ele fede a urina.
 he smells of piss.)

FALA 653
LEGENDA
DUBLAGEM
ORIGINAL
00:49:34,965 --> 00:49:36,218


Não, não é sério.
Não, não é verdade.
Do zvagizi, (No, not truly,)

FALA 662
LEGENDA
DUBLAGEM
ORIGINAL
00:50:18,370 --> 00:50:22,939


Ela está preocupada com os mamilos deles?
(Essa fala não existe no script, porém aparece como legenda em inglês no vídeo: she´s worried about their nipples?
Fale para a anã parar de lamuriar e isso não irá machuca-lo muito.
Ivetra ji krubo klimagho ez grigrigho. Kizi do zer honuzlivas kara odreta. (Tell the midget to stop bleading. This will do him no great harm.

FALA 667
LEGENDA
DUBLAGEM
ORIGINAL
00:50:33,480 --> 00:50:35,062


Pronto. É tudo.
Pronto. Você pode ir.
Aot, av ididan. (Here, I'm done with you.)

FALA 681
LEGENDA
DUBLAGEM
ORIGINAL
00:51:18,042 --> 00:51:21,955


Que tola chorona ela é.
Que chorona idiota.
Kuna mitty raba vaovaori bezy! (What a soft mewling fool this one is.)



  1. CONCLUSÕES


Como foi analisado, nas falas 629 e 663, houve a descaracterização de um dos personagens, devido ao fato dele não ter sido dublado em português, permanecendo na língua Valiriana e, pelo comportamento da personagem intérprete, dublada em português, quando decide não traduzir todos os palavrões que escuta. Contudo, durante a cena, para o personagem em questão passa-se a utilizar o Voice Over da tradução audiovisual, sendo possível então, deixar claro para o público que se tratava de um personagem que insultava sua cliente e que falava apenas a língua Valiriana.
Verificou-se também que na tradução para dublagem, a estratégia mais utilizada para esse episódio de Game of Thrones foi a equivalência - uso de expressões idênticas (GAMBIER apud ESQUEDA, 2011, p. 150), o que contribui para a não descaracterização de personagem. Segundo Machado (2013), apesar da censura exigir que tais produções sejam exibidas em determinados horários – geralmente mais tarde, à noite... – o uso de palavrões em traduções transmite uma maior realidade ao telespectador, pois se utiliza uma linguagem mais coloquial.
O fato de se utilizar uma linguagem mais coloquial é característica da dublagem. Então, pode-se dizer que o uso da equivalência na tradução para dublagem é predominante devido a esse fato. Porém,
a equivalência só é predominante quando o cliente permite que ela exista. Ou seja, permite o uso de palavrões. No caso de Game Of Thrones,  isso é uma exceção, pois a maioria dos clientes exige que o texto seja amenizado e com isso a estratégia prevalente na tradução é a adaptação. (MACHADO,2014)

              Mais estudos deverão ainda ser feitos em torno das estratégias utilizadas no processo tradutório no que diz respeito às escolhas das unidades lexicais, especificamente ao uso ou não uso do palavrão em legendas e dublagens. Pois apesar do uso em legendas ter maior impacto do que o uso na dublagem (IVARSSON & CARROL apud ESQUEDA, 2012), de acordo com Catrysse e Gambier (2008, p. 48) as características dos personagens são também reveladas pelo o que eles dizem ou não dizem. Com isso, é possível dizer que o impacto do uso de palavrões passa a ser sempre positivo na medida em que se aproxima do falar natural do público alvo e, principalmente, quando não interfere nas características que o autor dá ao seu personagem.


4.      BIBLIOGRAFIA


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[1] (...) the lack of synchronization in dubbed films or television series in a tradition in which synchrony is normative or regulated, for instance, may be received by the reader as a negative mechanism.
[2] Quando regravam a voz do personagem, mantendo a fala original. (MACHADO, 2014)